Com esse título a pessoa mais desinformada já tenderia a responder automaticamente que é óbvio que é Reeducação Alimentar.

O próprio conceito de “Radical” já nos remete a uma sensação de algo demasiadamente extremo. Quem é radical não quer meio termo, não quer conversa, nem tem bom senso, enquanto a RA (Reeducação alimentar) nos trás a mente a imagem de uma pessoa magra, equilibrada e dizendo ao garçom que não gostaria de outro pedaço de pudim porque já se sente satisfeita. E as comparações continuam indo longe se você se deixar pensar no assunto. Você conhece Nutricionista que trabalha com RA e já leu artigos cujo título dizia: “Os perigos das Dietas Radicais”. Mas a grande verdade é que tudo depende do que você considera como definição dos dois termos.

Em algumas de minhas palestras eu trato deste assunto e para ficar mais claro eu comparo uma pessoa que quer emagrecer com uma pessoa que sofre de alcoolismo. E por esse termos vamos considerar uma pessoa que tem um problema com bebidas. Aquelas pessoas que frequentam o AA. Na televisão vemos no final de cada propaganda de cerveja os dizeres: “Beba com moderação”. Se a sociedade fosse uma pessoa e perguntássemos a ela se é ok beber de vez em quando uma cerveja com os amigos ou um vinho com a namorada, ela certamente diria que sim, até apontando como a cerveja tem nutrientes e mencionando “estudos” que uma taça de vinho ao dia protege o coração.

Então, continuando a comparação, uma pessoa que precisa ser “Reeducada” é alguém que saiu fora dos padrões e precisa voltar ao equilíbrio, a beber com moderação. Então um alcoólatra que está bebendo demais, causando transtornos para sua saúde e sua família, perdendo emprego a ponto de procurar o AA você recomendaria uma Reeducação Etílica para ele voltar a beber pouco ou algo mais radical, como abstinência total? E um viciado em Crack ou Cocaína? Reeducação para consumir só um pouquinho ou radicalmente deixar o vício para trás?

As pessoas com problemas relacionados a comida enfrentam um grande problema de serem consideradas preguiçosos e sem comprometimento. Que é só “fechar a boca” e ir para a academia. Se você não é um obeso mórbido, enfrenta uma batalha diária com o mundo querendo que você coma de tudo um pouco. Com moderação. Mas ao mesmo tempo, para um alcoólatra, ninguém diz “É só beber pouco”.

Claro que ninguém fica obeso comendo alface nem tem compulsão por filé de frango. As pessoas engordam com coisas viciantes como açúcar, fast food, alimentos processados, bolachas etc. São alimentos que mesmo sendo unanimidade que em excesso fazem mal às pessoas, estão sempre presentes em eventos como festas e comemorações, comerciais de TV, dentro de casa e na lancheira das crianças na escola. E é ser radical não querer nem um pouco dessas drogas em vez de consumir só um pouco se não se tem controle e este pouco vira muito? Pelo menos em uma etapa do processo de emagrecimento para depois testar se vale voltar (ou não) com algum desses itens para a alimentação (de vez em quando) após ter resolvido o problema de saúde, compulsão e sobrepeso?

Antes era legal fumar, hoje nem um pouco. Antes era muito legal beber, hoje nem tanto. Um dia não vai ser tão legal beber refrigerante comendo bolacha recheada.

Se Dieta Radical é aceitar que nem todo mundo pode viver na moderação e precisa parar de gostar do que está fazendo muito mal, há necessidade de ser radical. Se RA é considerar um processo complexo hormonal, individual, que pode passar por cortar de vez alguns alimentos e outros não, entender a relação com a comida, se aceitar e ser feliz. Então RA é o ideal. Mas sem o mito da moderação. Você não diria a isso com quem tem problemas com outras drogas. E muita coisa que comemos e é aceito pela sociedade e por vezes incentivado, são sim, drogas.

 

Coach Teco Mendes

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