Eu sempre digo que as pessoas com um relacionamento ruim com a comida têm duas situações com relação ao peso: ou estão emagrecendo ou estão engordando. Ou estão fazendo uma dieta restritiva ou estão comendo tudo que tem pela frente porque vieram de uma restrição e vão logo logo (de preferência em uma segunda feira) voltar pra ela.

Parar de comer quando a fome acaba mesmo com um pouco de comida no prato e passar a sobremesa porque simplesmente “hoje não está a fim” são posturas de quem tem um controle do que come. Para os do grupo do efeito sanfona, que uma hora está engordando e em outra está emagrecendo, é diferente. Não são eles que definem se vão comer o brigadeiro na festa, mas o próprio brigadeiro é que manda. Parece loucura, não é mesmo?

É assim que funciona e muitos que estão lendo isso agora se identificam. Ah, se você convive com alguém assim, você também se identifica porque alguma vez cometeu o grave erro de ver a sanfona, digo, a pessoa comendo vorazmente um chocolate e soltou a frase “Ué, mas você não estava de regime? E esse chocolate aí?”. Dependendo da intimidade entre vocês dois, você acaba de abrir a caixa de pandora, os portais do inferno! Hahaha.

Qual a solução então pra sair deste ciclo? A solução é um conjunto de fatores importantes a serem tratados e até merecem posts dedicados a cada um deles. Citarei 3 que resolvem literalmente o problema.

O primeiro é a aceitação. Querer ser como sua amiga que come de tudo e não engorda, a musa das redes sociais que faz dieta e de vez em quando publica foto devorando um doce e logo volta para o rumo, etc., só vai te trazer neura e tristeza. E o que fazem as pessoas que tem relacionamento ruim com a comida quando estão tristes? Comem mais ainda. Pessoas que tem relacionamento ruim com álcool frequentam o AA e o primeiro passo que se aprendem lá é a aceitação. É por aí.

Segundo é ter a dieta correta. Aquela que diminui a compulsão e não aumenta. A que seu corpo evolui para se alimentar e não alguma solução rápida com chás, pilulas, shakes em que não se tem aderência. Seu corpo não foi feito para ser gordo. A lógica é que ele cuide da reserva de gordura assim como ele cuida da temperatura, PH, quantidade de água etc. Se tem excesso, o certo é ele tirar sua fome e aumentar a queima de gordura naturalmente pra diminuir essa reserva. Mas em muitas dietas este balanço hormonal está em desequilíbrio e quanto mais se engorda mais fome se tem, mesmo com a energia disponível para as atividades ali mesmo nas reservas. A dieta correta arruma isso.

A terceira é obvia, quer dizer, deveria ser. No processo de emagrecimento, fazer com que este seja seu estilo de vida, sem dietas restritivas que você não vê a hora de largar, sem ficar contando as horas para emagrecer e “poder” ter de novo o padrão de alimentação de antes da dieta. Sim, aquele que te engordou em primeiro lugar! Para isso, o segredo é não esperar emagrecer para voltar a ter prazer com comida. É já começar a gostar de seu novo estilo de vida que a dieta certa te dá, é saber que exceções e ocasionais permissões com algo que não faz parte só se deve buscar quando você já estiver bem, feliz, com o peso ideal e muito consciente da sua realidade.

Afinal, o item 1 da aceitação mostra que é para entender que alguns alimentos não são pra você, mas então descobre que é muito feliz e saudável sem eles.

Teco Mendes

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